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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Sobre nuvens negras e terras estranhas


- NUVENS -
Tema 40 de 52


Existe um universo chamado possibilidade, e nessa terra habitam os sonhos. Líricos, absurdos, sonhos sonhados e muitos esquecidos, eles permanecem estáticos, e inócuos, pois a grande maioria deles nem mesmo parecem fazer sentido. Figuras oníricas, lugares fantasiosos, terra de todas as possibilidades, onde fazem a curva os ventos, em alpha exorbitante, e pés sem os dedos. Uma terra árida, porém, bem fértil. Onde as nuvens são negras porque nunca há chuva. Sumiu o pavão, será que ainda retorna?


Uma foto por semana, 52 semanas, 52 olhares.


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sobre Pavões e Outros Seres


- SOBRE PAVÕES E OUTROS SERES -


Bem, amigo, vou lhe contar. Talvez nem imagine, pois há tempo não digo a ninguém o que é tão óbvio a mim. Tenho um amigo, outro amigo, pavão. Na verdade já faz tempo que não nos falamos, e éramos tão próximos ele e eu, unha e carne, inseparáveis, impagáveis, e intocáveis. Eu aprendi com ele ser assim, olhar altivo sempre, ele dizia: melhor parecer um grande idiota, do que um tolo inseguro. Pavões são inexplicáveis, e é muito difícil torná-los dóceis, deve ser porque não nos acham domesticáveis o bastante, e por nos considerar um pouco intempestivos, pois eles, por comparação tão conveniente e pouco justa, nunca perdem a compostura, e disso bem me lembro. Quando havia qualquer motivo que o aborrecesse, antes de perder a calma, era sua calda lustrosa que via por último. E assim, sumia. Rotineiramente. Porém, da última vez, foi a última vez. Desapareceu meu amigo pavão, e dele tenho tanta saudade. Nunca mais me mandou mensagens telepáticas, nem mesmo trovões semi-agudos, muito menos chacoalhar de suas penas. Eu tinha um amigo pavão que falava comigo, hoje sou apenas um peixe em meu aquário vazio.

Uma foto por dia, 365 dias, 365 olhares





sábado, 5 de março de 2011

Pavão


Talvez você ainda não saiba, talvez não me conheça muito bem, é que tenho um amigo, querido, embora desaparecido, pavão. Isso mesmo, por várias vezes eu escrevi sobre ele, mas já tem mais de mês que não sei, sumiu. Há algum tempo éramos inseparáveis, compadres, mas de repente ele assim, feito poeira de estrada, desapareceu. Sumiu mesmo. Até hoje nunca enviou notícias, e temo, nunca as receberei. Pavões são superticiosos, nunca dão um passo para trás, misteriosos, e muito, muito desconfiados, até mesmo de amigos, aparentemente, inseparáveis. Eu tenho um pavão amigo que desapareceu. Ainda me lembro do caminhar suave quando entrava pela porta, feliz, me perguntando se atrapalhava, pois eles são sempre assim, educados, solenes, mesmo em sua condição de ave, mas não espere uma relação monótona, pavões podem ser surpreendentes. É pena que sumiu. 


Uma foto por dia, 365 dias, 365 olhares

Terça-feira mais uma foto do #Projeto 52 com o tema "Saudade".


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sobre tempestades e pavões


- DIA 309, FOTO 309 -

No sonho o céu era tão brilhante que mal podia-se abrir os olhos, e as nuvens traçavam um intenso desenho amarelado enquanto o vento soprava com certa intensidade. Era tão forte a tempestade que se presumia que ficou até mesmo difícil de focalizar o pavão, que mesmo nessa situação, manteve-se solene. Os pavões não se intimidam por nada, são seres muito valentes, corajosos, e se orgulham de sua perspicácia. Ter um pavão amigo não é tarefa das mais fáceis, são muito temperamentais, como já havia lhe dito antes. O bom é que a tempestade se recolheu após a abertura de sua calda, as nuvens esbranquiçaram-se rapidamente, o céu tornou-se reflexo do seu turquesa, e o vento cessou apenas com um olhar seu, pena que foi apenas um sonho, pois o meu amigo pavão, se ainda recorda-te: desapareceu.
 
  - Vinhedo - SP - Brasil -

Uma foto por dia, 365 dias, 365 olhares

sábado, 16 de outubro de 2010

Sobre pavões, chuva, e suas cores


- DIA 289, FOTO 288 -


Em dia de chuva os pavões perdem a cor. É uma triste característica destes seres fantásticos. Ao menor sinal de chuva, um raio brilhante captura pelos olhos toda a coloração de suas penas subitamente, e, isso, os torna arredios demais para que possamos nos aproximar. Seu temperamento vira cimento, cinza, duro, e inflexível, e a relação pode se quebrar facilmente. As cores só retornam quando o sol, do dia seguinte, volta a brilhar dentro deles. Porém, alguns nunca recuperam sua cor. É quando o cinza reina dentro de seus corações miúdos, e eles desaparecem. Isso me faz ter lembranças do meu pavão amigo, e da chuva, pois é disso que eles nos falam, e ensinam: é preciso cuidar do coração, mesmo em dias de chuva.

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sobre pavões e pensamentos


- DIA 278, FOTO 278 -

É preciso tomar muito cuidado com os pavões. Sua natureza suprema os faz sagazes leitores de pensamentos, e por sua grandiosidade, quase sempre, os reprova. No início não é muito fácil descobrir quando estão vasculhando nossas mentes, eu adquiri maior facilidade convivendo muito com esse meu pavão amigo que desapareceu. Eu achava meio estranho quando tentava fotografá-lo e nenhum click meu o acompanhava, era oque mais o incomodava em mim, meus dedos ágeis no disparador da câmera sempre em punho. Como sabia oque pensava, desviava empiracamente do meu olhar, desviava com rapidez invejosa, e quando não podia mais fugir, parava, e me olhava bem nos olhos. Pavões são altivos, então nunca os pegará desprevinidos, porque serão sempre pavões, e é de sua natureza a força do desafio. Caso não saiba, eu tinha um pavão que me lembrava você, eu sinto saudades dele, mas ficou zangado comigo e desapareceu. Acho que fiz algo que não gostou.


Hoje foi realmente muito difícil de escolher a foto principal. Acabei decidindo pelo pavão outra vez, mas as flores me encantaram.

Uma foto por dia, 365 dias, 365 olhares

sábado, 2 de outubro de 2010

Sobre pavões e amizade


- DIA 275, FOTO 275 -


Eu tinha um pavão que falava comigo. Ele era muito educado embora sempre entrasse por debaixo da porta. Primeiro o pescoço azul turquesa, o restante do corpo, com cuidado, e ainda por último a longa calda seguido do pedido para entrar. Era um pouco sismado, inquieto, mas era elegante, altivo, um pavão de personalidade. Sabe, os pavões não são animais fáceis de lidar, são bonitos demais, e por isso mesmo ter um pavão amigo é motivo de muita dedicação: há de se cuidar da relação, pois se ofendem com certa naturalidade. Eles se zangam, essoam um sonido estridente, tremem a calda aberta, e desaparecem. Ficam dias sem falar absolutamente nada, mas fazem questão de se mostrar indiferentes. Eu tenho saudades do meu pavão, ás vezes ainda imagino, e o vejo nitidamente pedindo licença para entrar. Fica uma dica para quem quiser melhorar sua relação com os encantadores pavões: são animais temperamentais, merecem ser cultivados, mas não espere que se aproximem, pois por mais que desejem são incapazes. Então, o melhor é conquistar sua confiança, e se aproximar aos poucos, deixando-os acostumar a sua presença. Mas tenha uma coisa em mente, pavões são muito parecidos com as mulheres. 


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